Like Utopias, dystopias are an image of an alternative world, but here the similarities end. Dystopia is therefore less an imagination of what might be than a revealing of the hidden logic of what already is.
(…)
Criticism is also Utopia’s antithesis. If Utopianism is the act of imagining what is new, criticism, derived from the Greek words kritikos (to judge) and perhaps more revealing, krinein (to separate or divide), is the practice of pulling apart, examining, and judging that which already exists.
Stephen Duncombe, Open Utopia.
O primeiro termo que temos tendência a pensar ou associar como antítese ou paradoxo ao conceito de utopia é usualmente distopia, o que está correcto, mas a meu ver, incompleto. A verdade é que também o critiscismo, enquanto modo de exercer política é antónimo de utopia e protagonista na nossa sociedade.
Quanto ao primeiro enunciado acima, este é e representa, tal como a utopia uma alternativa, sendo porém uma idealização onde qualquer tipo de semelhança termina e simplesmente não é suposto existir. O termo dys de origem grega, significa mau, e topos, lugar - mau lugar. Há então uma organização da sociedade cujos principais motores são a opressão, sistemas totalitários ou ditatoriais e miséria. O que mais me assusta é o ser, em parte, capaz de reconhecer o que o autor nos descreve, que realmente a distopia não é uma alternativa política, pois é essa que vivemos, essa não é uma alternativa, repito, mas uma realidade. Assustador? Diria que sim. E muito.
Por outro lado, o criticismo, etimologicamente associado a Kant, procura explorar os limites da razão humana, tendo como base para tudo, a crítica. Kritikos surge-nos associado ao verbo julgar, separar e dividir. Assim, e vivendo numa sociedade onde a crítica parece não ter fim - never ending - esta “flui” e vive no que chamamos de revolução permanente.
Sugestões? Se os portugueses não acreditam na concretização de uma utopia, que ao menos caminhem na sua direcção, que ao menos nos permitam aproximar ou, neste caso, distanciar da distopia em que vivemos e somos protagonistas. Não podemos, nem devemos estagnar, nunca.