$$
Marta Costa . Design de Comunicação
A política e os jovens por Marta Costa

Hoje, de costas voltadas à política falo-vos. Falo-vos sob uma imagem que projecto de mim própria, uma imagem que se pode até assemelhar a algo, mas, que no final é apenas abstracta tal como a minha relação com a política. Abstracta, no sentido em que se parece com algo, assemelha-se a algo que sou ou tenho em mim, mas que, todavia, não é possível atribuir-lhe uma identidade, ou nada que se pareça como tal.
Porém, sinto que não me chamam, que, enquanto jovem a política não me procura e arrisco até dizer que exclui. Seria correcto então dizer que existe um desprezo mútuo? Possivelmente seria.
Ao meu silêncio, falado ou não, considero-o análogo a um tipo de censura moderna e inserida no século XXI, que imponho a mim própria. A verdade é que eu, e os jovens com certeza, contribuímos para tal, mas também é verdade e possivelmente estranho pensar nisso, que trabalhamos em conjunto com a política de Portugal, que cooperamos com aqueles que parecem querer prescindir dos jovens, que, apesar de portugueses, são jovens e isso, inacreditavelmente, parece ser suficiente. parece ser razão. É disto mesmo que vos falo, de uma censura causada por nós mesmos e quando digo nós, refiro-me a todos, aos portugueses e não somente aos jovens ou aos que exercem a política de mais perto, que por falta de interesse ou pela dita facilidade de não saber ou de não ter uma opinião construída é deixado para amanhã. Irónico? Os jovens de hoje, as pessoas do amanhã, deixarem um dos principais factores que orienta a sua vida para “mais tarde”? Diria que sim.
Pergunto-vos agora se são ou não capazes de reconhecer esta censura, ou por outras palavras, esta restrição de liberdade e do conhecimento que criamos e deixamos que se crie em nós? A principal diferença é que esta restrição é imposta por nós próprios, não nos permitindo ver ou entender o que, de uma maneira ou outra orienta as nossas vidas, tornando-nos intervenientes de algo público e assim seres políticos. Interrogo-me agora sobre a nossa natureza enquanto tal, enquanto seres políticos que parecem estar adormecidos, enquanto seres políticos que são denominados de “peixes mortos que seguem na corrente”, ou seguidores de um rebanho a que chamamos de liberdade.
Será isto conveniente à política? A esta política na qual os jovens se tornaram ferramentas e instrumentos de rectórica para chegar a e mobilizar eleitorado? A esta política que nos menciona, como “jovens qualificados”, sendo contraditória ao descartá-los e generalizá-los como elementos que não são assim tão qualificados para votar?
A estes jovens “tão qualificados”, é-lhes assim colocado um rótulo, o dos que não votam, o dos que preferem a abstenção, o dos que vão contra as oportunidades. Não me compete a mim e nem me proponho a tal, de decidir o que está correcto ou não, porém, o facto dos jovens não terem conhecimento de algo, não sugere que considerem que tal não existe ou que, no meu caso, não me aperceba da sua existência e impacto naquilo a que chamo de “dia-a-dia”.
Deste modo, e a esta generalização a que chamamos em coro de política, termino com uma citação intemporal e representativa desta dualidade dada pela relação ou ausência de relação entre os jovens e políticos. A verdade é que “não sabemos o que se passa e é isso mesmo que se passa…” (José y Ortega Gasset)



  Há 4 anos    0 notas    DCV  projectos