Não sabemos o que se passa e é isso mesmo que se passa. - José y Ortega Gasset

A citação acima do filósofo espanhol, ilustra, a meu ver, bastante bem a relação entre os jovens portugueses e a política que os representa ou deveria representar.

A verdade é que ambos os pólos da dualidade referida acima, não parecem saber o que se passa, e pior, não parecem querer saber. Para além disso, o não saber e não ser procurado para vir a saber, pode ser algo que se torna imensamente assustador. Se penso que os jovens portugueses estão assustados por não saberem? Diria que não. E se penso que a política portuguesa está minimamente importada com o facto dos jovens não saberem? Repito-me, mas diria que não. 

Hoje penso que existe um exclusão pela parte dos dois, um desprezo mútuo, talvez. A política usa os jovens como ferramentas e meios de retórica para chegar e mover o eleitorado que lhe interessa, que, segundo tal, vota, que segundo tal, faz a diferença. Assim, ironicamente ou não, é pela empatia que os que excluem os jovens, chegam a parte do restante eleitorado. Dirigem-se a “jovens qualificados” que preferem a abstenção, a “jovens qualificados” que vão contra as oportunidade, a “jovens tão qualificados” que no final, nos discursos que nos procuram apelar, representam estratégias de retórica. 

E assim, sem nos procurarem a política continua a representar um grande ponto de interrogação para muitos. Deste modo, volto a repetir-me,  “não sabemos o que se passa e é isso mesmo que se passa.”